MENINA MÁ, DE WILLIAM MARCH
09:23
"Certos assassinos, particularmente aqueles mais hábeis cujo nome depois ficava célebre, costumavam começar ainda crianças e demonstravam seu talento desde cedo, tal e qual poetas, matemáticos e músicos geniais." Pág. 101
Gênero: Suspense psicológico
Escritor: Willian March
Editora: DarkSide
Páginas: 272
Menina
Má é o primeiro livro da editora DarkSide que tenho o prazer de
ler e é também o primeiro livro com essa temática de criança
psicopata da minha estante. Já tinha lido algumas histórias com
jovens personagens problemáticos, já me deparei com uma ou outra
criança sinistra, mas geralmente em segundo plano, e dificilmente
uma como Rhoda.
O livro conta a história da família Penmark. O casal, Kenneth e Christine, já estavam cientes das peculiaridades da filha de oito anos, Rhoda, e se conformavam com a ideia de
que ela era diferente das demais crianças.
Porém, as coisas começam a mudar quanto Kenneth está em uma viajem a trabalho e um colega de classe de Rhoda sofre um acidente no passeio de piquenique da escola. A partir daí, Christine é dominada por uma inquietação e questões não resolvidas fazem a duvida crescer dentro dela. A medida que começa a prestar
mais atenção no comportamento da filha, mas aflita se sente.
"Era algo difícil de precisar ou identificar, mas havia uma estranha maturidade no caráter da menina que julgavam perturbadora." Pág. 46
Rhoda por sua vez, é tão
graciosa que encanta a todos que conhece. Tem uma facilidade notável em manipular e suas ações parecem ser sempre premeditadas. Ela tem a habilidade de fazer exatamente o que é esperado dela e com certeza o faz com maestria. Sabe como ser encantadora e usa essa habilidade a seu favor.
Mas o outro lado da sua personalidade também fica evidente, já que a menina não esconde sua ganancia e nem tem a habilidade de fingir empatia pela dor alheia. Ninguém é perfeito, não é mesmo?
"É quase como se não sentisse medo: ela mantém a calma diante de coisas que fariam uma criança normal chorar ou sair correndo." Pág. 48
Que meiga, né? Quem aí quer uma filha assim?
Acredito
que quem goste de psicologia vá se deleitar lendo essa história que é um prato cheio de personagens complexos, alguns com problemas psicológicos, que se tornam ainda mais
evidentes quando lemos as entrelinhas. Inclusive, uma das personagens, Mônica Breedlove, que vive no mesmo edifício que os Penmark, comenta bastante sobre psicologia, tendo até mesmo referências ao pai da psicanálise, Sigmund Freud.
É
muito interessante a forma que o autor caracteriza esses personagens,
tão singulares. Me impressionei com essa habilidade na construção
de personalidades.
"Parecia-lhe que sua filha, como se pressentisse que algum fator de corpo ou de alma a separava dos seus semelhantes, tentava acobertar essa diferença simulando os valores que os outros de fato prezavam." Pág. 73
Mas
vamos lá, esse não é um livro assustador, que tira o
sono e a paz, acredito que essa não seja a proposta do livro. Não é cheio de cenas sanguinolentas e uma morte por capítulo. É a história de uma menina que esta desenvolvendo sinais claros de psicopatia e acompanhamos o drama de quem convive com uma pessoa com essas características, no caso, a mãe Christine.
Apesar do livro, originalmente, ter sido escrito a um tempo considerável, a leitura não deixa de ser fluída e muito envolvente. Tem partes um tanto quanto perturbadoras, a própria Rhoda deixa a gente meio desconcertado. Mas o jeito como a situação afeta a mãe, chega a ser aflitivo inclusivo para quem está lendo.
Junto com Christine vamos descobrindo fatos relevantes na história dessa família e, na minha opinião, isso deu um toque a mais ao enredo.
Apesar do livro, originalmente, ter sido escrito a um tempo considerável, a leitura não deixa de ser fluída e muito envolvente. Tem partes um tanto quanto perturbadoras, a própria Rhoda deixa a gente meio desconcertado. Mas o jeito como a situação afeta a mãe, chega a ser aflitivo inclusivo para quem está lendo.
"Não sei do que você está falando, mãe. Não sinto nada." Pág. 73
E então nos deparamos com questões como, "seria a psicopatia hereditária? Há uma semente que é transmitida de geração à geração? É algo que nasce com a pessoa ou que se adquiri?"
Mas
para ser franca, o final do livro me incomodou um pouco, não
consegui achar o livro maravilhoso simplesmente porque o jeito que
acaba não me agradou. Ter a expectativa tão alta, com certeza,
influenciou minha opinião. Estava com a sensação de que alguma
coisa pra lá de surpreendente aconteceria nas últimas páginas,
diversos possíveis finais passaram pela minha cabeça, então quando
acabou, pareceu simples de mais e de forma um tanto quanto irônica.
Nem
parece justo dizer essas coisas porque o livro, de fato, é bom. Além
do mais, a história foi terminada em 1954 e com certeza foi mais do
que suficiente para deixar todo mundo chocado. Inclusive no
livro tem uma introdução que conta mais sobre o próprio livro e
autor.
Agora
vamos falar o óbvio. Que edição incrível! É de deixar a gente
abalado, cobiçando o livro pela capa (dura, por sinal). Até os detalhes das páginas me deixaram morrendo de
amores.
Por
fim, mesmo que você não costume se aventurar em livros desse
gênero, eu deixo a minha recomendação. Se estiver indeciso por
medo, leia durante esses belíssimos dias de verão ensolarados e
felizes, mas se joga que é sucesso.
Tanto
na literatura, quanto em séries e filmes, histórias de terror
relacionadas a psicopatas fazem sucesso. Scream está aí para provar
né? Pode investir mais Netflix que a gente gosta!
"Bem, talvez a gente esteja vivendo a era da ansiedade e da violência." Pág. 51
E
vocês já leram Menina Má ou outro livro da DarkSide? Nos contem o
que acharam e deixem indicações de livros do gênero aqui nos
comentários!











1 comentários
Eu tenho esse livro! Um dos meus favoritos, sou muito fã de suspense psicológico.
ResponderExcluirBeijos
http://orangelily.com.br/